A febre me consumia e prostrava. Como consequencia , tremores de frio contraiam meu corpo em espasmos e me faltavam forças para levantar e procurar mais cobertas e algum remédio. Na verdade, creio que não conseguia nem raciocinar quanto a necessidade dos cuidados naquela hora.
Para complicar, emocionalmente abalada, me faltava o ar.
Não sei precisar quanto esperei até reunir forças para alcançar uma manta e um comprimido. Cerca de dez horas, talvez, até o remédio aliviar a febre e me voltar o controle da minha vontade. Sei que ao acordar com tremores e sem respirar, só me preocupava em cancelar o compromisso de visitar uma amiga. Haviam outras pessoas envolvidas. Consegui mandar mensagens avisando do problema e, depois dessa providência, mergulhei em um sono superficial, no limite do consciente.
Foi neste estado de inconsciência que eu sonhei. Realmente não sei se poderia chamar de sonho. Foi uma alucinação, tendo em vista a nitidez das sensações. Eu estava num ambiente hospitalar neste sonho. Meu corpo sofria reações semelhantes das que me tomavam na realidade. Dores generalizadas, frio, tremores e falta de ar. Nada me importava. Só desejava que aquilo acabasse de qualquer maneira. Viver ou morrer era indiferente. Sentia pessoas a minha volta, e ouvia vozes abafadas sem entender o sentido das palavras. Num determinado momento nada mais ouvia. Devia estar sozinha no cômodo. Então senti uma mão suave na minha testa, a semelhança de uma mãe querendo adivinhar a febre num filho. Levemente essa mão desceu pelo meu rosto numa caricia sutil, me transmitindo uma paz e um alívio que nunca, na minha vida, senti. Renovei minhas forças físicas sem abrir os olhos, com a certeza que tudo se dissiparia se o fizesse. Apenas me deixei ali usufruindo daquela sensação maravilhosa que é se sentir amada.
Vc é a criança "mais gde" q já vi na mha vida...
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