segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vazio.







Ela acordou tarde, sentindo um enorme vazio. Tudo parecia sem razão, sem motivos. Pensou que precisava gastar energia e afastar aquele mal estar . Poderia caminhar, correr ou dançar pra levantar seu astral e ocupar os vãos de sua alma. Mas não seria nesse dia que ia sair do sedentarismo. Preferiu se dedicar a limpeza da casa. Escovar, varrer, tirar pó. Muita água e sabão. Todos os produtos que eliminassem sujeiras e pensamentos mais escondidos.
Mal havia terminado essa tarefa e após banho rápido correu para o supermercado antes que fechasse. Fez uma romaria no comércio alimentício. Queria preparar uma ceia digna de deuses, ou deusas. Padaria, delicatessem, frutaria. Pensou em cada iguaria que pudesse receber elogios e sorrisos felizes.
Na volta, outra correria. Colocar a melhor toalha na mesa, as taças e copos, pratos, guardanapos. Quanto a guardanapos, retirou da gaveta  os de linho bordado, guardados para ocasiões especiais.  Por fim, deixou sobre a mesa displicentemente a rosa vermelha que daria um toque quente a decoração Afastou-se para admirar o efeito, e satisfeita tratou de dedicar a sua imagem, a mesma atenção que havia dispensado ao ambiente.
Arrumada e perfumada, colocou sobre a mesa as delícias que havia providenciado e abriu o vinho para respirar. Já eram 11 horas do dia 31 de dezembro e já começavam a pipocar os fogos. Nossa, pensou, 11horas e eu nem almocei.
Solenemente sentou-se e começou a chorar. Por entre as lágrimas olhava o copo, o prato, os talheres e o guardanapo, cuidadosamente dispostos em frente a uma cadeira vazia. Seu amor não viria.
 Então ela encheu de lágrimas o vazio de sua existência.

    

domingo, 30 de dezembro de 2012

Devaneios 1


Devaneios 2


Devaneios 3


Sou eu.






Sou cheia de odores e humores
Me  divido entre ruídos e silêncios
Tenho um lado de sombra onde me escondo
E um lado luz onde me dou
Sou aprendiz e ensino a quem ouvir
Histórias do que fui e onde andei
Sou incompleta, mesmo sendo inteira.
Sempre buscando ler o meu sentir,
Não me conheço, logo não me entendo.
Mas sei amar, com um amor maior,
E depois esquecer com igual fervor.

      

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Perdas

Pela janela, minha simpática vizinha, se queixa que sua plantinha secou. Reclama do calor e se justifica pela vigem demorada, motivos prováveis da morte do lindo junquilho. Mal sai da janela, depois de palavras de conforto e o telefone me traz a voz de uma amiga querida. Nem fez os cumprimentos sociais de praxe e logo despejou sua tristeza. O namorado a deixou por outra. Escutei em silêncio suas reclamações. Aliás, ainda que quisesse não poderia emitir minha opinião. Era uma torrente de queixas, lamentações e xingamentos. Oscilava entre "Ele não me compreendeu!, "Era um menino mimado apesar de maduro", "Não aguentou me ver feliz na minha profissão" e "Queria controlar meus pensamentos" até, finalmente o indefectível " Os homens são todos iguais". Nem cheguei a comentar que os homens dizem o mesmo das mulheres. Um pouco mais calma pediu minha opinião. Afinal sou sua velha amiga e sempre com um palpite pronto para qualquer assunto. Fiz algumas perguntas para me atualizar na história do casal e assim me situar. Do que pude entender, ela está acumulando seus dois vínculos empregatícios, com um estafante curso de mestrado. Não tem tempo sequer para um livro ou um vídeo que não seja em função do estudo. Não para nem aos finais de semana envolvida com pesquisas. Mesmo assim, diz a seu favor, fazia o maior esforço para ligar diariamente para o namorado. Gostava de sentir o carinho na voz ele e escutar palavras de estímulo. Porém, de uns tempos para cá, seu parceiro começou a reclamar. Queria sair, ir a um cinema, ou simplesmente ficar em casa vendo um filme. Mas para ela era impossível, visto que alem da tese, tem que preparar e corrigir provas dos alunos. Nem reparou quando ele parou de reclamar e passou a apenas ouvi-la com educação. Também não se preocupou quando ele conheceu novos amigos e passou a ocupar seu tempo saindo com eles ou os recebendo. Era até bom porque ele a deixava livre para suas atividades. Só ontem, aproveitando um tempinho disponível, quando ligou para marcar um encontro, ela percebeu que o havia perdido. Ele gentil, mas firmemente, disse que tinha um compromisso. Ao fundo escutou uma voz feminina alertando que o jantar ia esfriar. Claro que não viu, mas imaginou que ele, com um gesto da mão e um largo sorriso, tinha pedido para sua visita esperar. Apenas sentiu que ele tinha urgência em desligar, o que fez rapidamente depois de prometer que ligaria no dia seguinte. Telefonema este que não veio. Neste mesmo dia minha amiga esbarrou numa conhecida de ambos que, numa abordagem falsamente amigável, lamentou o término de seu namoro. Tripudiou dizendo que era uma pena porque pareciam feitos um para o outro, e que a outra não chegava a seus pes Eu ouvi suas respostas e cheguei as minhas conclusões, mas, cuidadosamente me limitei a dizer aquelas palavras de conforto de praxe. Não dei minha opinião, ate porque ela não a queria escutar mesmo. Desliguei o telefone mas não pude me desligar das duas situações. A da vizinha e sua planta e da amiga e seu namoro. Faltou rega nos dois casos, e em ambos pecaram por excesso de confiança e falta de planejamento. A vizinha que precisou viajar,mas não colocou a planta em segurança. Na casa de alguém ou com um método caseiro de irrigação. A amiga porque não soube equilibrar suas atividades. Nas duas situações, elas, as protagonistas, não fizeram questão de conservar o bem que vieram a perder. Tudo bem. Afinal, pessoas assim, sempre podem conseguir plantas e amores artificiais.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Eu já não sei o que fazer na vida...da vida...pela vida. Os caminhos que percorro não me levam a nenhum lugar que me complete. Ando só e confusa, sem saber se acredito nas placas e setas da estrada. Se há indicação de bosque, me deparo com pradaria. A idade não me deixou mais esperta, nem serena ou paciente. Não me serve o que estudei, que senti, que amei, pois tudo é novo. Modernamente novo e desconfortável para meu mundo antigo e romantico. Vou só, tentando me achar .Quem tenta seguir meus passos não me acompanha. Somos viajantes solitários . Até onde? Até quando?

sábado, 22 de dezembro de 2012

Soneto de Natal

Soneto de Natal Um homem, — era aquela noite amiga, Noite cristã, berço no Nazareno, — Ao relembrar os dias de pequeno, E a viva dança, e a lépida cantiga, Quis transportar ao verso doce e ameno As sensações da sua idade antiga, Naquela mesma velha noite amiga, Noite cristã, berço do Nazareno. Escolheu o soneto... A folha branca Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca, A pena não acode ao gesto seu. E, em vão lutando contra o metro adverso, Só lhe saiu este pequeno verso: "Mudaria o Natal ou mudei eu?"

Mudou o Natal?

Vou plagiar Machado de Assis repetindo o final de seu Soneto de Natal. Acontece que quis expressar o encantamento que esta festa me traz e, de repente, um vazio me tomou. O que dizer do Natal, senão relembrar saudosos tempos de infância e juventude, quando aguardava com ansiedade a noite com suas luzes, sua alegria? Não haviam presentes. Família pobre apenas providenciava roupas e , no máximo, um pequeno brinquedo dos mais baratos que eram oferecidos pelos padrinhos. Naquela época, padrinho era coisa séria e importante. E faziam parte do contexto familiar, mesmo que não possuissem laços sanguíneos. Depois, na idade adulta, era meu o papel de Papai Noel. As mesmas luzes na casa, na árvore de Natal e nos olhinhos das crianças ávidas pelos inúmeros presentes. Eram tempos de vacas gordas. O meu prazer e minha alegria eram tirados da alegria e do prazer dos sobrinhos. Hoje, sobrinhos adultos, casados, com filhos , mas ausentes, e me percebo em um vazio natalino. Minhas tentativas de construir meu próprio ninho falharam. Estou como o personagem do poema de Machado, não encontrando no presente a magia do Natal. Mudou o Natal, ou mudei eu?

domingo, 9 de dezembro de 2012

Mahatma Gandhi




Se eu pudesse...

Se eu pudesse deixar algum presente a você,
deixaria aceso o sentimento de amar
a vida dos seres humanos.
A consciência de aprender tudo
o que foi ensinado pelo tempo a fora.
Lembraria os erros que foram cometidos
para que não mais se repetissem.
A capacidade de escolher novos rumos.
Deixaria para você, se pudesse,
o respeito àquilo que é indispensável:
Além do pão, o trabalho.
Além do trabalho, a ação.
E, quando tudo mais faltasse,
um segredo:
O de buscar no interior de si mesmo
a resposta e a força para
encontrar a saída." 
(Mahatma Gandhi)

Dentro de mim

 

       Aqui neste canto secreto, é onde escondo meus medos, minha vergonha, minha dor.
É um canto sombrio do meu ser, onde deposito cuidadosamente as mágoas , as tristeza as agressões que recebo do não eu. Fica a meio caminho entre o coração e a razão, num lugar onde só minha amargura alcança.
De quando em vez há sol em mim, e aí, removo e remexo. Descarto coisas superadas e esperanças perdidas.
Separo montes de incertezas e revejo e rearrumo sentimentos oprimidos. Tudo com muito cuidado pra não retirar a poeira do esquecimento que começa a ocultá-los.
Hoje sou escuridão , e nele penetro em silêncio pra despejar sonhos perdidos e uma enorme  vontade de chorar.

Diga


Diga pra mim,diga pra quem te perguntar. Diga onde andam teus passos e teus sonhos. Em que vãos e esquinas renovas tua força.
Diga, e diga também o que tens feito do amor, das lembranças  e dos anseios de quem por ti se fez melhor.
Não esqueças de dizer que és feliz por ser quem és. Que és feliz em ser amada  e que isso é o bastante pra tua alma inquieta.
Diga o que quiseres, diga o que puderes, pois só não suporto o vazio do  teu silêncio.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

O texto que eu gostaria de ter escrito pra vc



EU TE COMPREENDO

Eu sei das tuas tensões, dos teus vazios e da tua inquietude. Eu sei da luta que tens travado à procura de Paz. Sei também das tuas dificuldades para alcançá-la. Sei das tuas quedas, dos teus propósitos não cumpridos, das tuas vacilações e dos teus desânimos.

Eu te compreendo... Imagino o quanto tens tentado para resolver as tuas preocupações profissionais, familiares, afetivas,
financeiras e sociais. Imagino que o mundo, de vez em quando, parece-te um grande peso que te sentes obrigado a carregar. E tantas vezes, sem medir esforços.

Eu conheço as tuas dúvidas, as dúvidas da natureza humana. Percebo como te sentes pequeno quando teus sonhos acalentados vão por terra, quando tuas expectativas não são correspondidas. E essas inseguranças com o amanhã? E aquela inquietação atroz em não saberes se amanhã as pessoas que hoje te rodeiam ainda estarão contigo? De não saberes se reconhecerão o teu trabalho, se reconhecerão o teu esforço. E, por tudo isto, sofres, e te sentes como um barco sozinho num mar imenso e agitado.

E não ignoro que, muitas vezes, sentes uma profunda carência de amor. Quantas vezes pensastes em resolver definitivamente os teus conflitos no trabalho ou em casa. E nem sempre encontraste a receptividade esperada ou não tiveste força para encaminhar a tua proposta. Eu sei o quanto te dói os teus limites humanos e o quanto às vezes te parece difícil uma harmonia íntima. E não poucas vezes, a descrença toma conta do teu coração.

Eu te compreendo... Compreendo até tuas mágoas, a tristeza pelo que te fizeram, a tristeza pela incompreensão que te dispensaram, pelas ingratidões, pelas ofensas, pelas palavras rudes que recebeste. Compreendo até as tuas saudades e lembranças. Saudade daqueles que se afastaram de ti, saudade dos teus tempos felizes, saudade daquilo que não volta nunca mais... E os teus medos? Medo de perderes o que possuis, medo de não seres bom para aqueles que te cercam, medo de não agradares devidamente às pessoas, medo de não dares conta, medo de que descubram o teu íntimo, medo de que alguém descubra as tuas verdades e as tuas mentiras, medo de não conseguires realizar o que planejaste, medo de expressares os teus sentimentos, medo de que te interpretem mal.

Eu compreendo esses e todos os outros medos que tens dentro de ti. Sou capaz de entender também os teus remorsos, as faltas que cometeste, o sentimento de culpa pelos pequenos ou grandes erros que praticaste na tua vida. E sei que, por causa de tudo isso, às vezes te encontras num profundo sentimento de solidão. É quando as coisas perdem a cor, perdem o gosto e te vês envolto numa fina camada de indiferença pela vida. Refiro-me àquela tua sensação de isolamento, como se o mundo inteiro fosse indiferente às tuas necessidades e ao teu cansaço. E nesse estado, és envolvido pelo tédio e cada ação ou obrigação exige de ti um grande esforço. Sei até das tuas sensações de estares acorrentado, preso; preso às normas, aos padrões estabelecidos, às rotineiras obrigações: "Eu gostaria de... mas eu tenho que trabalhar, tenho que ajudar, tenho que cuidar de, tenho que resolver, tenho que!...". Eu te compreendo... Compreendo os teus sacrifícios.

E a quantas coisas tens renunciado, de quantos anseios tens aberto mão!... E sempre acham que é pouco... Pouca coisa tens feito por ti e tua vida, quase toda ela, tem sido afinal dedicada a satisfazer outras pessoas. Sei do teu esforço em ajudar as outras pessoas e sei que isso é a semente de tuas decepções. Sei que, nas tuas horas mais amargas, até a revolta aflora em teu coração. Revolta com a injustiça do mundo, revolta com a fome, as guerras, a competição entre os homens, com a loucura dos que detêm o poder, com a falsidade de muitos, com a repressão social e com a desonestidade. Por tudo isso, carregas um grau excessivo de tensões, de angústia e de ansiedade. Sonhas com uma vida melhor, mais calma, mais significativa. Sei também que tens belos planos para o amanhã. Sei que queres apenas um pouco de segurança, seja financeira ou emocional, e sei que lutas por ela.

Mas, mesmo assim, tuas tensões continuam presentes. E tu percebes estas tensões nas tuas insônias ou no sono excessivo, na ausência de fome ou na fome excessiva, na ausência de desejo para o sexo ou no desejo sexual excessivo. O fato é que carregas e acumulas tensões sobre tensões: tensões no trabalho, nas exigências e autoritarismos de alguns, nas condições inadequadas de salário e na inexistência de motivação, nos ambientes tóxicos das empresas, na inveja dos colegas, no que dizem por trás. Tensões na família, nas dependências devoradoras dos que habitam a mesma casa; nos conflitos e brigas constantes, onde todos querem ter razão; no desrespeito à tua individualidade, no controle e cobrança das tuas ações. Eu te compreendo, e te compreendo mesmo. E apesar de compreender-te totalmente, quero dizer-te algo muito importante. Escuta agora com o coração o que te vou dizer:

Eu te compreendo, mas não te apoio! Tu és o único responsável por todos estes sentimentos. A vida te foi dada de graça e existem em ti remédios para todos os teus males. Se, no entanto, preferes a autocomiseração ao invés de mobilizares as tuas energias interiores, então nada posso te oferecer. Se preferes sonhar com um mundo perfeito, ao invés de te defrontares com os limites de um mundo falho e humano, nada posso te oferecer.

Se preferes lamentar o teu passado e encontrar nele desculpas para a tua falta de vontade de crescer; se optastes por tentar controlar o futuro, o que jamais controlarás com todas as suas incertezas; se resolveste responsabilizar as pessoas que te rodeiam pela tua incompetência em tratar com os aspectos negativos delas, em nada posso te ajudar. Se trocaste o auto apoio pelo apoio e reconhecimento do teu ambiente, então nada posso te oferecer. Se queres ter razão em tudo que pensas; se queres obter piedade pelo que sentes; se queres a aprovação integral em tudo que fazes; se escolhestes abrir mão de tua própria vida, em nome do falso amor, para comprares o reconhecimento dos outros, através de renúncias e sacrifícios, nada posso te oferecer. Se entendeste mal a regra máxima "Amar ao próximo como a ti mesmo", esquecendo-te de amar a ti mesmo, em nada posso te ajudar.

Se não tens um mínimo de coragem para estar com teus próprios sentimentos, sejam agradáveis ou dolorosos; se não tens um mínimo de humildade para te perdoares pelas tuas imperfeições; se desejas impressionar os outros e angariar a simpatia para teus sofrimentos; se não sabes pedir ajuda e aprender com os que sabem mais do que tu; se preferes sonhar, ao invés de viver, ignorando que a vida é feita de altos e baixos, nada posso te oferecer. Se achas que pelo teu desespero as coisas acontecerão magicamente; se usas a imperfeição do mundo para justificar as tuas próprias imperfeições; se queres ser onipotente, quando de fato és simplesmente humano; se preferes proteção à tua própria liberdade; se interiorizaste em ti desejos torturadores; se deixaste imprimirem-se em tua mente venenosas ordens de: "Apressa-te!", "Não erres nunca!", "Agrade sempre!"; se escolheste atender às expectativas de todas as pessoas; se és incapaz de dar um não quando necessário, em nada posso te ajudar. Se pensas ser possível controlar o que os outros pensam de ti; se pensas ser possível controlar o que os outros sentem a teu respeito; se pensas ser possível controlar o que os outros fazem; se queres acreditar que existe segurança fora de ti, repito:

Eu te compreendo mas, em nome do verdadeiro Amor, jamais poderia apoiar-te! Se recusas buscar no âmago do teu ser respostas para os teus descaminhos, se dás pouca importância a teus sussurros interiores; se esqueceste a unidade intrínseca dos opostos em nossa vida terrena; se preferes o fácil e abandonastes a paciência para o Caminho; se fechaste teus ouvidos ao chamado de retorno; se perdeste a confiança a ponto de não poderes entregar tua vida à vontade onipotente de Deus; se não quiseste ver a Luz que vem do Leste; se não consegues encontrar no íntimo das coisas aquele ponto seguro de equilíbrio no meio de todas as tormentas e vicissitudes; se não aceitas a tua vocação de Viajante com todos os imprevistos e acidentes da Jornada; se não queres usar o tempo, o erro, a queda e a morte como teus aliados de crescimento, realmente nada posso fazer por ti.

Se aspiras obter proteção quando o que precisas é Liberdade; se não descobriste que a verdadeira Liberdade e a autêntica Segurança são interiores; se não sabes transformar a frase "Eu tenho que..." na frase "Eu quero!"; se queres que o fantasma do passado continue a fechar teus olhos para a infinidade do teu aqui e agora; se queres deixar que o fantasma do futuro te coloque em posição de luta com o que ainda não aconteceu e, provavelmente, não chegará a acontecer; se optaste por tratar a ti mesmo como a um inimigo; se te falta capacidade para ver a ti mesmo como alguém que merece da tua própria parte os maiores cuidados e a maior ternura; se não te tratas como sendo a semente do próprio Deus; se desejas usar teus belos planos de mudar, de crescer, de realizar, como instrumentos de auto-tortura; se achas que é amor o apego que cultivas pelos teus parentes e amigos; se queres ignorar, em nome da seriedade e da responsabilidade, a criança brincalhona que habita em ti; se alimentas a vergonha de te enternecer diante de uma flor ou de um por de sol; se através da lamentação recusas a vida como dádiva e como graça, não posso te apoiar.

Mas, se apesar de todo o sono, queres despertar; se apesar de todo o cansaço, queres caminhar; se apesar de todo o medo, queres tentar; se apesar de toda acomodação e descrença, queres mudar, aceita então esta proposta para a tua Felicidade: A raiz de todas as tuas dificuldades são teus pensamentos negativos. São eles que te levam para as dores das lembranças do passado e para a inquietação do futuro. São esses pensamentos que te afastam da experiência de contato com teu próprio corpo, com o teu presente, com o teu aqui e agora e, portanto, distanciando-te de teu próprio coração. Tens presentes agora as tuas emoções? Tens presente agora o fluxo da tua respiração? Tens presente agora a batida do teu coração? Tens agora a consciência do teu próprio corpo? Este é o passo primordial. Teu corpo é concreto, real, presente, e é nele que o sofrimento deságua e é a partir dele que se inicia a caminhada para a Alegria.

Somente através dele se encaminha o retorno à Paz. Jamais resolverás os teus problemas somente pensando neles. Começa do mais próximo, começa pelo corpo. Através dele chegarás ao teu centro, ao teu vazio, àquele lugar onde a semente germina. Através da consciência corporal, galgarás caminhos jamais vistos, entrarás em contato com os teus sentimentos, perceberás o mundo tal como é e agirás de acordo com a naturalidade da vida. Assume o teu corpo e os teus sentimentos, por mais dolorosos que sejam; assume e observa-os, simplesmente observa-os. Não tentes mudar nada, sê apenas a tua dor. Presta atenção, não negues a tua dor. Para que fingir estar alegre se estás triste? Para que fingir coragem se estás com medo? Para que fingir amor se estás com ódio? Para que fingir paz se estás angustiado? Não lutes contra teus sentimentos, fica do teu próprio lado, deixa a dor acontecer, como deixas acontecer os bons momentos. Pára, deixa que as coisas sejam exatamente como são.

Entra nos teus sentimentos sem os julgar, não fujas deles, não os evites, não queira resolvê-los escapando deles - depois terás de te encontrar com eles novamente, é apenas um adiamento, uma prorrogação. Torna-te presente, por mais que te doa. E, se assim fizeres, algo de muito belo acontecerá! Assim como a noite veio, ela também se irá e então testemunharás o nascer do dia, pois à noite o sol escurece até a meia-noite e, a partir daí, começa um novo dia.

Se assim fizeres, sentirás brotar de dentro de ti uma força que desconhecias e te sentirás renovado na esperança e a vida entrando em ti. Se assim fizeres, entenderás com o coração que a semente morre mesmo, totalmente, antes de germinar e que a morte antecede a vida. E, se assim fizeres, poderei dizer-te então que: Eu te Compreendo e que, assim, tens todo o meu apoio! E verás com muita alegria que, justamente agora, já não precisas mais do meu apoio, pois o foste buscar dentro de ti e o encontraste dentro da tua própria dor! A CAUSA É INTERIOR.

O homem traz a semente de sua vida dentro de si mesmo. O que quer que lhe aconteça, acontece por sua própria causa. As causas externas são secundárias; as causas internas são as principais. Existe a possibilidade de uma transformação...E que só você pode conseguir, basta querer...

Carlos Henrique Mascarenhas Pires
Imperador Dom Henrique I

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

A dor que dói mais - Martha Medeiros


A DOR QUE DÓI MAIS

Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.
Martha Medeiros

domingo, 29 de abril de 2012

Retirado do facebook


Encontrei este texto no facebook. Pesquisei a autoria no Google e esbarrei num "anônimo". Inspirado anônimo.

Quando as palavras acabam

Se as palavras dissesem, eu contaria tudo
Mas as palavras não dizem nada,
Apenas distraem a imaginação.
O coração diz tudo o que a palavra cala
e o silêncio exala o que a palavra é.
Se as palavras dissessem,eu contaria tudo
Mas as palavras não dizem tudo,
Apenas distorcem a real condição,
O coração diz tudo com as palavras certas
E o silêncio afaga a palavra dispersa.
Se as palavras dissessem,eu contaria tudo
Mas as palavras não dizem palavras,
Apenas decompõem idéias e ritmos.
O coração diz tudo, mesmo sem palavras
E o silêncio fala o que a palavra esquece
Se as palavras dissessem,eu contaria tudo
Mas as palavras acabam...
E eu fico mudo
Com o coração na mão
E o silêncio na alma...

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Pra você.

Eu Sei Que Vou Te Amar

Vinicius de Morais e Tom Jobim

Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar..
E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...
Eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida
Eu vou te amar
A cada despedida
Eu vou te amar
Desesperadamente
Eu sei que vou te amar...
E cada verso meu será
Prá te dizer
Que eu sei que vou te amar
Por toda a minha vida...
Eu sei que vou chorar
A cada ausência tua eu vou chorar
Mas cada volta tua há de apagar
O que essa tua ausência me causou...
Eu sei que vou sofrer
A eterna desventura de viver
À espera de viver ao lado teu
Por toda a minha vida...

Um pouco mais de Bandeira



  • Na coleção de 9
  • SONETO INGLÊS No. 1
    Quando a morte cerrar meus olhos duros
    - Duros de tantos vãos padecimentos,
    Que pensarão teus peitos imaturos
    Da minha dor de todos os momentos?

    Vejo-te agora alheia, e tão distante:
    Mais que distante - isenta. E bem prevejo,
    Desde já bem prevejo o exato instante
    Em que de outro será não teu desejo,

    Que o não terás, porém teu abandono,
    Tua nudez! Um dia hei de ir embora
    Adormecer no derradeiro sono.
    Um dia chorarás... Que importa? Chora.

    Então eu sentirei muito mais perto
    De mim feliz, teu coração incerto.

    Manuel Bandeira

    Hoje preciso de poesia

     

    Escuta, eu não quero contar-te o meu desejo
    Quero apenas contar-te a minha ternura
    Ah se em troca de tanta felicidade que me dás
    Eu te pudesse repor
    -Eu soubesse repor_
    No coração despedaçado
    As mais puras alegrias de tua infância!

    Manuel Bandeira





    domingo, 15 de abril de 2012

    Vazio

    Página vazia, sem traço, sem palavras, sem expressão.
    Vida vazia, sem laço, sem sonhos, sem emoção.

    O que  preciso pra vida vazia reescrever?
    Como essa página vazia preencher?

    quinta-feira, 5 de abril de 2012

    TEMPERAMENTOS E AFINIDADES

     O que é melhor para o relacionamento de um casal: que eles sejam iguais ou diferentes? Alguns apostam nos casais siameses: os dois corintianos, os dois petistas, os dois fumantes. Já outros preferem o antagonismo: ele Corinthians, ela Palmeiras; ele PT, ela PMDB; ele fumante, ela presidente da Associação de Combate ao Câncer de Pulmão. 
    Cada casal tem sua fórmula para dar certo, mas um pouco de equilíbrio ajuda a manter a estabilidade. O melhor parceiro é aquele que é bem diferente de nós e ao mesmo tempo muito parecido. Como? Diferente no temperamento, mas com mil afinidades.
     Dois calmos vão pegar no sono muito rápido. Dois gulosos vão passar muito tempo no supermercado. Dois sedentários vão emburrecer na frente da tevê. Dois avarentos nunca terão um champanhe dentro da geladeira. Dois falantes jamais vão escutar um ao outro.
      Temperamentos iguais se neutralizam. Temperamentos opostos é que provocam faísca. Ele é super responsável, paga as contas em dia e jamais ficou sem combustível. Ela, ao contrário, é zen. Sua música preferida é um mantra. Não sabe que dia é hoje, mas tem certeza que é abril. Brigas à vista? Que nada. Ela o acalma, ele a acelera, e os dois inventam o próprio ritmo. O que importa é que avançam na mesma direção. 
    Quando o projeto de vida é antagônico, aí é que a coisa complica. Ele adora o campo, odeia produtos industrializados e não perde o Globo Rural. Ela almoça e janta hamburger, tem horror a qualquer ser vivo com mais de duas patas e raspou suas economias para ver o show dos Rolling Stones em São Paulo, sua cidade modelo. Ele odeia a instituição chamada família. Ela, ao contrário, não abre mão das macarronadas dominicais na casa da mãe. Ele não sobe num avião nem sob decreto, ela sonha em dar a volta ao mundo. Ele quer ter quatro filhos, ela ligou as trompas quando fez 18 anos. Ele é ativista político, faz doações para o partido e participa de sindicatos. Ela vota em quem estiver liderando nas pesquisas. Ele não admite televisão em casa, ela não admite menos de três: uma na sala, outra no quarto e uma de dez polegadas na cozinha. Pode dar certo? Pode, mas alguém vai ter que abrir mão dos seus sonhos.
    Temperamentos diferentes provocam discussões contornáveis. Já a falta de afinidades pode reduzir um dos dois a mero coadjuvante da vida do outro. Alguém vai ter que ceder muito, e se não tiver talento para a submissão, vai sofrer.  Logo, não importa se ele chega sempre atrasado e você é a rainha da pontualidade, desde que ambos tenham a mesma visão de mundo e os mesmos valores. Esse é o prato principal de todo relacionamento. O resto é tempero.
     Martha Medeiros