segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Vazio.







Ela acordou tarde, sentindo um enorme vazio. Tudo parecia sem razão, sem motivos. Pensou que precisava gastar energia e afastar aquele mal estar . Poderia caminhar, correr ou dançar pra levantar seu astral e ocupar os vãos de sua alma. Mas não seria nesse dia que ia sair do sedentarismo. Preferiu se dedicar a limpeza da casa. Escovar, varrer, tirar pó. Muita água e sabão. Todos os produtos que eliminassem sujeiras e pensamentos mais escondidos.
Mal havia terminado essa tarefa e após banho rápido correu para o supermercado antes que fechasse. Fez uma romaria no comércio alimentício. Queria preparar uma ceia digna de deuses, ou deusas. Padaria, delicatessem, frutaria. Pensou em cada iguaria que pudesse receber elogios e sorrisos felizes.
Na volta, outra correria. Colocar a melhor toalha na mesa, as taças e copos, pratos, guardanapos. Quanto a guardanapos, retirou da gaveta  os de linho bordado, guardados para ocasiões especiais.  Por fim, deixou sobre a mesa displicentemente a rosa vermelha que daria um toque quente a decoração Afastou-se para admirar o efeito, e satisfeita tratou de dedicar a sua imagem, a mesma atenção que havia dispensado ao ambiente.
Arrumada e perfumada, colocou sobre a mesa as delícias que havia providenciado e abriu o vinho para respirar. Já eram 11 horas do dia 31 de dezembro e já começavam a pipocar os fogos. Nossa, pensou, 11horas e eu nem almocei.
Solenemente sentou-se e começou a chorar. Por entre as lágrimas olhava o copo, o prato, os talheres e o guardanapo, cuidadosamente dispostos em frente a uma cadeira vazia. Seu amor não viria.
 Então ela encheu de lágrimas o vazio de sua existência.

    

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