Ela acordou tarde, sentindo um enorme vazio. Tudo
parecia sem razão, sem motivos. Pensou que precisava gastar energia e afastar
aquele mal estar . Poderia caminhar, correr ou dançar pra levantar seu astral e
ocupar os vãos de sua alma. Mas não seria nesse dia que ia sair do
sedentarismo. Preferiu se dedicar a limpeza da casa. Escovar, varrer, tirar pó.
Muita água e sabão. Todos os produtos que eliminassem sujeiras e pensamentos mais
escondidos.
Mal havia terminado essa tarefa e após banho
rápido correu para o supermercado antes que fechasse. Fez uma romaria no
comércio alimentício. Queria preparar uma ceia digna de deuses, ou deusas. Padaria,
delicatessem, frutaria. Pensou em cada iguaria que pudesse receber elogios e
sorrisos felizes.
Na volta, outra correria. Colocar a melhor
toalha na mesa, as taças e copos, pratos, guardanapos. Quanto a guardanapos, retirou
da gaveta os de linho bordado, guardados
para ocasiões especiais. Por fim, deixou
sobre a mesa displicentemente a rosa vermelha que daria um toque quente a
decoração Afastou-se para admirar o efeito, e satisfeita tratou de dedicar a sua
imagem, a mesma atenção que havia dispensado ao ambiente.
Arrumada e perfumada, colocou sobre a mesa as
delícias que havia providenciado e abriu o vinho para respirar. Já eram 11
horas do dia 31 de dezembro e já começavam a pipocar os fogos. Nossa, pensou,
11horas e eu nem almocei.
Solenemente sentou-se e começou a chorar. Por entre
as lágrimas olhava o copo, o prato, os talheres e o guardanapo, cuidadosamente
dispostos em frente a uma cadeira vazia. Seu amor não viria.
Então
ela encheu de lágrimas o vazio de sua existência.
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